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Imposto de renda nos EUA••13 min de leitura

Uber, faxina, obra: como abater o carro do trabalho no Tax nos EUA

Vai comprar um carro, uma van ou uma truck pro teu trabalho aqui nos Estados Unidos? Antes de assinar, assiste esse vídeo. Seja motorista de Uber, Lyft ou DoorDash, cleaner, pintor ou da construção, uma hora o vendedor vai te perguntar: "vai no seu nome ou no nome da empresa?". E um amigo já deve ter te falado: "pega uma caminhonete grandona, que abate tudo no imposto".

Por Saulo Azevedo & Equipe Smart Tax Returns
Tax Preparer e Especialistas em Impostos nos EUA • Atendimento nos 50 estados americanos
Uber, faxina, obra: como abater o carro do trabalho no Tax nos EUA

Visão Geral

No seu nome ou no da LLC?

Imagina a cena. O crédito saiu, a grana tá na mão. Cê tá na concessionária, a truck que cê tava namorando há meses tá ali na tua frente, a chave quase na mão. Aí o vendedor vira e pergunta: "vai colocar no seu nome ou no nome da empresa?"

E cê trava. Porque ninguém nunca te explicou isso.

E pra piorar, semana passada um amigo te falou: "pega logo uma caminhonete grandona, que abate tudo no tax".

Hoje eu vou te mostrar as duas coisas: no nome de quem comprar, e por que essa história da caminhonete que abate tudo já deu dor de cabeça pra muita gente.

Olá, pessoal! Meu nome é Saulo Azevedo, sou sócio e tax preparer da Smart Tax Returns.

Esse vídeo continua o último, onde a gente falou de crédito. Se não assistiu, o link tá aqui em cima. Mas dá pra assistir esse sozinho, tranquilão.

Assista ao Vídeo Completo • Canal Negócios Smart nos EUAAssistir no YouTube ↗

PARTE 1: o nome muda menos no imposto do que cê pensa

Vou começar com uma coisa que surpreende muita gente. Se a tua LLC tem um dono só, pro IRS ela e você são quase a mesma coisa na hora do imposto. Lembra do vídeo passado? O imposto cai em você, não na LLC.

Então, carro no teu nome ou no nome da LLC: o direito de abater existe nos dois casos. O que decide se você abate não é o nome no documento. São duas coisas: o uso e a prova. Uso é quanto aquele carro rodou pra trabalho. Prova é se você consegue mostrar isso pro IRS.

✚ Por que isso importa

E isso não é detalhe. Semana passada a AAA, a associação de motoristas, soltou o estudo anual deles aqui de Orlando: ter um carro novo nos Estados Unidos tá custando, em média, quase 12.900 dólares por ano. Mais de mil dólares por mês.

E não é só a prestação, não. É tudo que o carro te custa num ano rodando umas 15 mil milhas. A maior parte nem sai do teu bolso na hora: é a perda de valor do carro, mais de 4.400 por ano. Depois vem o seguro, uns 2.100. Os juros do financiamento, quase 1.200. E o resto, uns 5 mil, é gasolina, manutenção, pneu e as taxas do carro.

E olha: isso é pra quem roda 15 mil milhas. Motorista de Uber roda duas, três vezes isso. Pra quem trabalha dirigindo, é uma das maiores contas do negócio. Saber quanto disso é do trabalho é dinheiro de verdade.

✚ Dois exemplos

Olha dois casos.

O Marcos, nosso exemplo fixo e cleaner. A van tá no nome da LLC. No ano, ela rodou 25 mil milhas. Dessas, 20 mil foram pra trabalho. Mas no fim de semana ele leva a família pra praia com ela, e isso deu 5 mil milhas. Então a van dele é 80% trabalho. Mesmo estando no nome da empresa, ele só abate 80%. O nome da LLC não transforma passeio em trabalho.

Agora o motorista de Uber. Não tem LLC nenhuma, o carro tá no nome dele, e tá tudo certo. Rodou 40 mil milhas no ano, 36 mil com o app ligado, trabalhando. Isso é 90% trabalho. Ele abate 90%, mesmo o carro estando no nome pessoal.

Viu? Um tá no nome da empresa e abate menos. O outro tá no nome dele e abate mais. No caso de uma LLC de um dono só, quem manda é o uso, não o nome.

✚ Sócio ou S Corp

Agora, se a tua LLC tem sócio ou é S Corp, presta atenção, que muda. Nesses casos, o carro no teu nome não entra direto na tua declaração como despesa do negócio. O caminho normal é a empresa te reembolsar pelas milhas, com controle formal. Na S Corp isso se chama accountable plan. E sem esse reembolso, na S Corp ou uma LLC com mais de um dono, a dedução pode simplesmente se perder. Se é o teu caso, fala com a gente antes de comprar.

O resto do vídeo continua valendo pra você.

✚ Ponte pra Parte 2

Beleza. O carro rodou 80% pra trabalho e cê tem prova. Agora vem a pergunta que vale dinheiro: como essas milhas viram dólar na tua declaração? Tem dois jeitos. E escolher errado no primeiro ano pode te prender por anos.

PARTE 2: os dois jeitos de abater o carro

Jeito 1: por milha.

O IRS tem um valor fixo por milha rodada a trabalho. E esse ano teve uma coisa rara: o valor mudou no meio do ano. De janeiro a junho de 2026 foram 72,5 centavos por milha, e em julho o IRS subiu pra 76 centavos, por causa da gasolina que não parava de subir.

"72,5¢ (jan–jun) → 76¢ (jul–dez) · Fonte: IRS, Notice 2026-10 e Announcement 2026-11"

Vamos de exemplo de novo, olha o Marcos. As 20 mil milhas de trabalho, metade em cada semestre, dão quase 15 mil dólares que ele abate. E ele só precisou de um aplicativo no celular anotando as milhas.

10.000 × $0,725 + 10.000 × $0,76 ≈ $14.850

Jeito 2: pelo custo real.

Cê soma tudo que o carro custou no ano: gasolina, seguro, manutenção, a depreciação. Depois multiplica pela porcentagem que ele rodou pra trabalho.

E atenção: é tudo vezes a porcentagem, inclusive a gasolina. A gasolina do passeio de domingo não entra. Se o Marcos gastou 4 mil de gasolina no ano e a van é 80% trabalho, ele abate 3.200, não 4 mil.

Fazendo a conta inteira: o Marcos gastou uns 12 mil com a van no ano. 80% disso dá 9.600 dólares. Pela milha dava quase 15 mil. Então, nesse caso, a milha seria mais vantajosa pro Marcos.

Mas nem sempre é assim, e é por isso que essa conta tem que ser feita no teu caso.

A pegadinha.

Olha que importante: se cê quer usar o jeito da milha, tem que escolher ele no primeiro ano que o carro entra no negócio. Se começar pelo custo real, com depreciação acelerada, normalmente não dá pra voltar pra milha depois. Então essa decisão é tomada na compra, não em março no tax season.

O caderninho.

Nos dois jeitos o IRS quer que você consiga comprovar, seja a quantidade de milhas rodadas a trabalho ou os comprovantes das despesas com o carro.

PARTE 3: o mito da caminhonete que abate tudo

Agora, vamos para aquela história do teu amigo, com o Mito da caminhonete que abate tudo.

Todo fim de ano cê vai ver concessionária anunciando: "compre agora e abata no imposto". Esse mito é velho. Em 2004, o Congresso americano chegou a criar um limite especial pra SUV, porque muita gente tava comprando SUV de luxo, tipo Hummer, só pra abater no imposto. Ficou conhecido como a "brecha do Hummer".

E tem uma ironia nisso: segundo a mesma AAA, as caminhonetes grandes, tipo F-150, Silverado e Ram, estão entre os carros mais caros de manter do país, com gasolina, seguro e manutenção lá em cima. Ou seja, o carro que o teu amigo recomenda pra "economizar" é justamente um dos que mais custam pra manter.

"Caminhonetes grandes: entre os veículos mais caros de manter · AAA, Your Driving Costs"

Mas vamos ser justos: a regra existe. Veículo com mais de 6.000 libras de peso bruto, o GVWR (tá naquela etiqueta na porta), usado mais da metade pra trabalho, pode ser abatido quase todo, às vezes inteiro, no primeiro ano. E a lei de 2025 trouxe de volta, de forma permanente, a depreciação de 100% no primeiro ano. Por isso o mito voltou com força.

Só que tem três coisas que o teu amigo não te contou.

1. Abater não é ganhar de graça

Esse é o ponto mais importante do vídeo, então vou devagar. Quando cê abate uma despesa, o IRS não te devolve o valor que cê gastou. Ele só deixa de cobrar imposto em cima desse dinheiro. Olha a conta.

Pensa que cê lucrou 60 mil dólares e essa grana tá na tua mão. Cê tem duas escolhas.

Escolha 1: não compra a caminhonete. Os 60 mil ficam como lucro, ficam no seu bolso. O IRS vem e leva a parte dele. Vamos usar 25% só de exemplo, que dá 15 mil dólares. Sobram 45 mil no teu bolso. Ou seja: se cê não faz nada com esse dinheiro, que é lucro da tua empresa, cê paga o imposto e ponto final.

Escolha 2: compra a caminhonete. Se cê decide comprar aquela caminhonete, truck ou van que tava sonhando, não paga aqueles 15 mil de imposto que o IRS ia te cobrar. Mas os 45 mil que iam sobrar pra você também sumiram. Viraram uma caminhonete. Entendeu a lógica?

Então, no fim, o imposto pagou 15. Os outros 45 foi você que pagou.

Então a pergunta certa nunca é "quanto de imposto eu economizo se comprar uma caminhonete ou van pra minha empresa?". As perguntas certas são: "eu já iria comprar essa caminhonete para minha empresa? Ou esse investimento faz sentido para minha empresa nesse momento?"

Se a resposta é sim, compra, que o imposto te deu um desconto. Se é não, o imposto não vai salvar essa compra. Achando que tá levando vantagem com esse desconto, cê acaba tirando 45 mil dólares do caixa da tua empresa.

Pois a vantagem de ter o desconto na truck é para quem já realmente iria comprar ela. E pra quem vai entrar na pilha daquele amigão e comprar a truck sem precisar realmente e pensando que iria ter a truck de graça, ainda vai ter que gastar mais 45,000 dólares.

E quando eu falo "achando que tá levando vantagem", é porque às vezes nem esse desconto é tudo isso. Veja porque?

"O imposto paga 25%. Você paga 75%." (taxa ilustrativa)

2. Mais da metade pra trabalho, e com prova.

Esse abatimento grande exige mais de 50% de uso pra trabalho. Se a caminhonete vira o carro da família, com escola das crianças, mercado e passeio no fim de semana, a conta não fecha. E se nos anos seguintes o uso pra trabalho cair pra metade ou menos, o IRS pede de volta parte do que você abateu. Se ligou na pegadinha?

3. Quando vender, a conta volta

E mais, e aqui tá aquela vantagem que nem sempre é vantagem. Se cê abateu tudo no ano um, nos anos seguintes não sobra nada daquele carro pra abater. E quando vender, a conta volta.

✚ Exemplo

Volta pro nosso exemplo. Ano 1: cê comprou a caminhonete de 60 mil e abateu tudo. Pro IRS, ela passou a valer zero no papel.

Ano 3: cê vai na concessionária e dá ela na troca por uma nova. O vendedor avalia em 40 mil. Cê sai feliz: "dei a velha, peguei a nova, nem mexi no bolso".

Só que desde 2018 trocar veículo de trabalho na concessionária conta como venda pro IRS. Pra ele, cê vendeu por 40 mil uma caminhonete que valia zero no papel. São 40 mil de ganho. A 25%, dá 10 mil de imposto, que chegam em março sem ninguém ter avisado.

Faz a conta comigo: dos 15 mil que cê "economizou" no ano 1, 10 mil voltaram no ano 3. Muitas vezes o imposto não foi economizado. Só foi empurrado pra frente.

"Ano 1: comprou $60.000 → abateu tudo → valor no papel: $0"

"Ano 3: troca avaliada em $40.000 → ganho: $40.000 → imposto (25%): $10.000"

"Economizou $15.000 no ano 1. Devolveu $10.000 no ano 3."

E não é que seja errado abater tudo no primeiro ano. Num ano de lucro alto, pode valer muito a pena. Mas tem que saber que a conta volta, pra não levar susto justo no ano que trocou de carro.

Minha opinião, e eu vejo isso na minha mesa todo fim de ano, o imposto não deve ser o único motivo da compra. Se não, só quem ganha é a concessionária.

A TESE: dois vizinhos, duas vans ✚ Mini contexto

Tudo que eu falei hoje pode parecer detalhe. Mas soma comigo. O carro custa mais de mil dólares por mês. A milha bem anotada pode valer uns 15 mil de dedução no ano. E uma troca mal planejada pode gerar 10 mil de imposto. Não é detalhe: é dinheiro do tamanho de uma prestação por ano. Vale pro cleaner com a van, pro pedreiro com a truck e pro motorista de Uber com o carro. Olha a diferença na prática.

O nosso Marcos comprou a van dele assim: no nome da LLC, prestação saindo da conta da LLC, seguro comercial, aplicativo de milha ligado desde o primeiro dia. E, antes de assinar, conversou com a gente, na Smart Tax Returns, pra decidir o jeito de abater.

O vizinho dele ouviu aquele amigão. Pegou uma caminhonete top, no nome dele, com a prestação saindo da conta da LLC, sem anotar milha nenhuma, e com ela servindo de carro da família no fim de semana.

Os dois trabalham igual. Mas quando chega o tax season, um tem planejamento claro e o outro tem um problema.

E olha, o vizinho não é vilão. Ninguém avisou ele. É exatamente pra isso que esse canal existe.

Vai comprar veículo, equipamento pro teu negócio ou precisa de ajuda com o seu Tax? Mande mensagem para nós. O link do WhatsApp tá aqui embaixo.

Agora, uma coisa que ninguém te fala na concessionária. A prestação da van chega todo mês. O seguro chega todo mês. Mas o cliente, não.

Tem mês que o telefone não para de tocar. E tem mês que ele simplesmente para, some. A faxina cai, a obra atrasa, a corrida do Uber some.

E sabe o que chega bem nessa época? A conta do IRS. O estimated tax do último trimestre vence em 15 de janeiro, logo depois das festas, quando o movimento de muita gente despenca.

Aí o brasileiro olha a conta do banco, vê dinheiro ali e acha que é dele. Só que uma parte daquele dinheiro já tem dono. E é o IRS.

No próximo vídeo eu te mostro como montar o caixa que te segura na baixa temporada, e como separar o dinheiro do IRS antes que ele vire prestação, mercado e aluguel. Se inscreve, porque o que separa quem cresce, de quem fecha as portas do negócio, não é o mês bom. É como cê sobrevive ao mês ruim.

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